Rapa Nui pode ter sido ocupada ao redor do ano 600 d.C. por um grupo de colonizadores provenientes, provavelmente, das Ilhas Marquesas do Pacífico oriental.
O povoamento da ilha está consagrado num mito, cujo protagonista é o ariki Hotu Matu’a, primeiro rei e personagem fundador da cultura Rapa Nui.
Os marcos desta pré-história são o desenvolvimento do rongo rongo, um sistema de escrita indecifrável, e o culto aos ancestrais centrado nos moais, cuja construção teria começado próximo ao ano 1.000 d.C. chegando a erguer mais de 900 figuras de pedra ao longo da ilha. Os ahu foram construídos de pedra vulcânica e postos em grandes altares cerimoniais, e a eles foi atribuída a posse de mana, fonte de bens, prestígio e legitimação da classe dirigente.
A exploração desmedida dos recursos gerou uma crise na cultura, destituindo a classe dirigente e o sistema ideológico tradicional. Os moais foram derrubados e o culto aos ancestrais abandonado.
Foi nesse contexto que se deu o desembarque da expedição do holandês Jacob Roggeveen em 1722, responsável pela divulgação de Rapa Nui na Europa.
O contato com o ocidente foi catastrófico para os rapa nui. Quase um terço da população nativa foi levada ao Peru como mão-de-obra forçada. Os poucos que conseguiram regressar introduziram epidemias que reduziram a população a apenas 111 pessoas.
Em 1988, Rapa Nui foi incorporada à soberania do Chile, estabelecendo-se a Companhia Exploradora de Ilha de Páscoa, dedicada à atividade ovina. Devido aos constantes abusos da Companhia, em 1963 o governo deixou a administração nas mãos da Marinha do Chile.
O PODER DO HOMEM PÁSSARO: EL TANGATA MANU
A crise geral provocou o surgimento de novos líderes guerreiros, cujo poder e autoridade já não eram hereditários, mas adquiridos por meio de rituais de competições.
A mais importante era a cerimônia do homem pássaro, o tangata manu, realizada todos os anos na chegada da primavera. Representantes de distintas linhagens competiam para conseguir o primeiro ovo da gaivota manutara.
Os escolhidos reuniam-se no centro de cerimônias de Orongo, em seguida deveriam descer pelo alcantilado e nadar até a pequena Ilha Motu Nui, conseguir o ovo e trazê-lo intacto a Orongo. O vencedor era ungido como o Tangata Manu, reencarnação do Deus Criador Make Make, obtendo uma série de privilégios.